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Arquitetos: Coarquitetos
- Área: 561 m²
- Ano: 2023
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Fotografias:Maurício Araújo
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Fabricantes: Maria Mega Mix, Olaria Santa Fé

"Hypnacoteca" é um neologismo e um trocadilho formado pela junção de dois vocábulos gregos, hypnos ("sono") e theke ("caixa" ou "baú"). Assim, o mesmo tempo em que constitui uma pinacoteca, isto é, museu dedicado a pinturas, também guarda ali as imagens que vemos em sonho, ou, mais especificamente, no limiar entre o sono e a vigília. Essa imagética cumpre um papel especial no processo criativo do artista plástico Nelson Maravalhas Jr., cuja obra o museu Hypnacoteca Maravalhas se dedica a expor.




Em diálogo com a obra do artista, o projeto teve como conceito primário ser um espaço simbólico para essa experiência, fechado do mundo exterior e aberto para as imaginações de nosso íntimo. O edifício se localiza em uma região rural próxima à Brasília, em meio ao cerrado virgem. A arquitetura se impõe como um volume simples e marcante. Suas fachadas em tijolos cerâmicos criam uma textura natural que aproxima a arquitetura da natureza. O cubo proposto é recortado e extrudado para a criação dos acessos e da varanda. As áreas de circulação contam com paredes vazadas de tijolo cerâmico para iluminação e ventilação enquanto as galerias são herméticas para abrigo e proteção das obras.

O espaço interno, pensado para ser visitado em um percurso contínuo, está subdividido em duas galerias no pavimento térreo, sendo uma delas conjugada a hall de entrada com pé-direito duplo e iluminação zenital, e mais duas no pavimento superior. Conta ainda com reserva técnica para obras pictóricas, banheiro de acesso público, depósito e vestiário no térreo, e administração, banheiro de acesso público, café e varanda no pavimento superior.

O projeto foi concebido com base em uma modulação básica de 1,75 m em planta, desdobrando-se em seus múltiplos. A estrutura é de concreto armado, sistema pilar e viga e laje de concreto. A vedação vertical é em alvenaria de bloco cerâmico 14x19x29 cm, com revestimento cerâmico do tipo "tijolinho", em dois padrões de assentamento distintos, organizados de acordo com a modulação, porém de maneira assimétrica e irregular. A alternância de padrões também permitiu integrar as juntas de movimentação das fachadas à textura criada. As paredes mais largas, por sua vez, incrementam o conforto térmico e criam melhores condições para resguardo das obras.

Na fachada noroeste, onde estão situadas as áreas da escada, elevador, banheiros, serviço, café, administração, assim como em outros pontos na fachada principal e nordeste, a vedação vertical externa é em cobogó formado por fileiras duplas de tijolo cerâmico maciço, arranjadas também em dois padrões diferentes. Do lado interno dos cobogós, foram criados fechamentos em vidro blindex de correr.
